Teatro Municipal de Ouro Preto é tombado pelo Iphan e recebe proteção federal individual
Foto / Reprodução: Monique RennePublicado por Alex Castro - Rádio Sideral O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou, por unanimidade, o tombamento federal da Antiga Casa de Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto. A decisão, anunciada nesta terça-feira (9), garante proteção individual ao imóvel, que passa a ser inscrito no Livro do Tombo Histórico e no Livro do Tombo das Belas Artes, consolidando seu reconhecimento como um dos mais importantes patrimônios culturais do Brasil. Inaugurado em 7 de junho de 1770, durante as comemorações do aniversário do rei Dom José I de Portugal, o teatro é considerado o mais antigo em funcionamento contínuo das Américas e um dos raros exemplares remanescentes das casas de ópera do período colonial brasileiro. Embora já integrasse o Conjunto Arquitetônico e Urbanístico de Ouro Preto, tombado nacionalmente desde 1938, o edifício agora passa a contar com uma proteção específica em âmbito federal. O processo de tombamento foi iniciado em 1963 e permaneceu por mais de seis décadas sem uma decisão definitiva. Para a relatora do parecer, a conselheira Beatriz Bueno, a aprovação corrige uma lacuna histórica e reforça a necessidade de preservação integral do monumento. Segundo ela, o tombamento individual garante não apenas proteção jurídica, mas também o reconhecimento dos valores históricos, artísticos, arquitetônicos e simbólicos do espaço. A decisão contempla a proteção da edificação, do terreno e dos bens integrados ao imóvel, além da definição de uma área de entorno destinada à preservação da ambiência urbana e da integridade estrutural do monumento. O teatro está localizado em uma das regiões mais importantes do centro histórico de Ouro Preto, próximo a bens culturais como a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e o Museu da Inconfidência.

Foto / Reprodução: Monique Renne
Ao longo de quase 256 anos de existência, a Casa da Ópera desempenhou papel fundamental na vida cultural e social da antiga Vila Rica. O espaço recebeu apresentações musicais, óperas, espetáculos dramáticos e diversos eventos culturais que marcaram a história da cidade e de Minas Gerais.
O parecer aprovado pelo Iphan também destaca aspectos sociais relevantes da trajetória do teatro. Entre eles, o fato de ter sido um dos primeiros espaços do país a permitir a participação de mulheres nos palcos, além da significativa presença de artistas negros, mestiços, livres e escravizados nas atividades culturais realizadas no local.
Do ponto de vista arquitetônico, o prédio preserva características raras da arquitetura teatral luso-brasileira colonial. Entre os elementos de destaque estão a organização interna em forma de lira, o palco italiano, galerias, balcões, camarotes e o chamado “camarote do governador”. Outro item de grande valor patrimonial é a pintura alegórica localizada sobre a boca de cena, considerada uma das mais importantes manifestações artísticas preservadas do período.
Para o diretor do Teatro Municipal de Ouro Preto, Roberto Sussuca, o reconhecimento abre novas possibilidades para captação de recursos destinados à preservação do espaço físico, da memória e da relevância cultural da instituição. Já especialistas e pesquisadores ressaltam que o tombamento fortalece a valorização de um patrimônio que testemunhou importantes transformações sociais, artísticas e culturais ao longo da história brasileira.
Com a aprovação do tombamento federal, a Casa da Ópera reafirma sua posição como um dos mais importantes símbolos da cultura nacional e segue como referência para a preservação da memória e das artes no Brasil.