Dom Airton e Papa Leão XIV reforçam sentido espiritual da Quaresma
Foto / Reprodução: Vatican NewsPublicado por Alex Castro - Rádio Sideral Com o início da Quaresma na Quarta-feira de Cinzas, a Igreja Católica convida os fiéis a viverem quarenta dias de preparação para a Páscoa, marcados por oração, jejum e caridade. Em Mariana e no Vaticano, as reflexões destacam a necessidade de conversão do coração e renovação da fé, cada uma com ênfases próprias. 🔹 Dom Airton destaca retomada do Batismo e prática concreta da caridade Na Arquidiocese de Mariana, o arcebispo metropolitano Dom Airton José dos Santos reforça que a Quaresma é um tempo decisivo de reflexão e aprofundamento espiritual, comparável a um retiro coletivo vivido por toda a Igreja. Segundo ele, o período começa na Quarta-feira de Cinzas e segue até a Quinta-feira Santa, antes da Missa do Lava-pés, quando se inicia o Tríduo Pascal. Ao longo desse caminho, três práticas são propostas como pilares da vivência quaresmal: jejum, esmola e oração. Dom Airton explica que o jejum e a abstinência, especialmente na Quarta-feira de Cinzas e nas sextas-feiras, vão além da restrição alimentar. Tratam-se de exercícios de autodomínio e moderação, com sentido espiritual e também social. O arcebispo ressalta que o que é economizado deve ser destinado aos necessitados, fortalecendo o compromisso concreto com a caridade. A esmola, nesse contexto, não significa doar o que sobra, mas partilhar de forma consciente. Já a oração é apresentada como diálogo sincero com Deus, fundamental para sustentar a conversão interior. Outro ponto destacado é o simbolismo da imposição das cinzas, que recorda a fragilidade humana e a transitoriedade da vida. Para o arcebispo, o gesto é um convite direto à mudança de vida, à retomada das promessas batismais e ao compromisso de viver segundo a vontade de Deus. 🔹 Papa Leão XIV reforça conversão do coração e “jejum das palavras” No Vaticano, o início da Quaresma foi marcado pela procissão penitencial da igreja de Santo Anselmo até a Basílica de Santa Sabina, em Roma, seguida da celebração presidida pelo Papa Leão XIV. Em suas mensagens dirigidas a fiéis de diferentes idiomas, o Pontífice destacou que a Quaresma é um tempo de graça e conversão, convidando os cristãos a colocarem Deus no centro da vida para evitar distrações e inquietações do cotidiano. Entre os principais pontos enfatizados está a oração intensa como caminho para chegar espiritualmente renovado à Páscoa, entendida como a revelação suprema do amor misericordioso de Deus. O Papa também insistiu na necessidade de uma verdadeira conversão do coração, capaz de gerar amor concreto ao próximo. Um dos aspectos mais marcantes de sua reflexão foi o chamado ao “jejum das palavras” — abstendo-se de comentários e atitudes que ferem os outros. Segundo ele, essa forma de abstinência é concreta e muitas vezes pouco valorizada, mas essencial para cultivar uma linguagem desarmada e misericordiosa. Além disso, Leão XIV incentivou a prática das obras de misericórdia e o recurso ao Sacramento da Penitência como caminhos privilegiados de encontro com Cristo durante o tempo quaresmal. Caminhos convergentes Tanto em Mariana quanto no Vaticano, a mensagem central converge para a necessidade de conversão pessoal, renovação espiritual e compromisso concreto com a caridade. A Quaresma é apresentada como tempo oportuno para reorientar a vida à luz do Evangelho, preparando os fiéis para a celebração do mistério pascal.