Refrigerantes zero e açucarados aumentam risco de gordura no fígado, aponta estudo internacional
Imagem / Reprodução: Getty-ImagesPublicado por Alex Castro - Rádio Sideral
Beber refrigerantes todos os dias — mesmo nas versões zero ou diet — pode aumentar significativamente o risco de desenvolver gordura no fígado. O alerta vem de um estudo apresentado durante o congresso europeu United European Gastroenterology Week (UEG Week), realizado em Berlim, que analisou dados de mais de 120 mil pessoas ao longo de uma década.
De acordo com a pesquisa, o consumo diário de uma lata de refrigerante adoçado artificialmente elevou o risco de desenvolver doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) em até 60%, enquanto as bebidas açucaradas aumentaram esse risco em 50%. A MASLD, também conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica, ocorre quando há acúmulo de gordura no fígado de pessoas que consomem pouco ou nenhum álcool e pode evoluir para cirrose, insuficiência hepática ou câncer.
Os dados foram obtidos a partir do UK Biobank, banco de informações biomédicas do Reino Unido, que acompanhou 123.788 participantes sem doenças hepáticas conhecidas por cerca de dez anos. Nesse período, 1.178 pessoas desenvolveram a doença e 108 morreram por causas associadas ao fígado.
Refrigerantes “zero” também representam risco
As conclusões desafiam a percepção de que as versões “zero” ou “diet” são mais seguras. Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, Lihe Liu, da Universidade de Soochow (China), “mesmo em quantidades modestas, como uma lata por dia, as bebidas adoçadas artificialmente foram associadas a maior risco de doença hepática”.
Os cientistas destacam que os adoçantes artificiais podem alterar o microbioma intestinal, interferir na sensação de saciedade, estimular o apetite e afetar a liberação de insulina — fatores que, em conjunto, contribuem para o acúmulo de gordura no fígado. Já os refrigerantes açucarados causam picos de glicose e insulina, promovendo ganho de peso e alterações metabólicas.
Água é a melhor substituição
O estudo também avaliou os efeitos da substituição dessas bebidas por água. Os resultados mostraram que trocar refrigerantes tradicionais por água reduziu o risco de doença hepática em 12,8%, e a troca das versões dietéticas por água diminuiu em 15,2%. No entanto, substituir um tipo de refrigerante pelo outro não trouxe qualquer benefício significativo.
“Essas descobertas reforçam a necessidade de repensar o consumo diário de bebidas adoçadas, mesmo em versões com baixo teor calórico”, afirmou Liu. “A água continua sendo a opção mais segura e saudável para proteger o metabolismo e o fígado.”
Alerta para a saúde pública
A MASLD é atualmente a forma mais comum de doença hepática crônica no mundo, afetando cerca de 30% da população global. Especialistas defendem que os resultados do estudo devem servir de base para políticas de conscientização e reeducação alimentar, com o objetivo de reduzir o consumo de refrigerantes e incentivar hábitos mais saudáveis.
Médicos e nutricionistas também recomendam orientação regular sobre os riscos dessas bebidas e reforçam que a prevenção é a forma mais eficaz de evitar complicações hepáticas graves.