História

O Chafariz de Marília de Dirceu

História 31/07/2019/ 18:06:42
O Chafariz de Marília de Dirceu

O chafariz de Marília, em Ouro Preto, leva este nome pelo fato de estar situado próximo à casa onde morou Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, a Marília de Dirceu, celebrada em versos pelo poeta português Tomás Antônio Gonzaga, ouvidor da antiga Vila Rica e um dos líderes da Inconfidência Mineira. Em 1789, ano em que fazia planos para se casar com Maria Dorotéia, Gonzaga foi preso junto com os demais inconfidentes e acabou condenado ao degredo em Moçambique, em 1792.

   O local onde fica o chafariz de Marília passou a se chamar praça de Dirceu, nome com o qual Gonzaga assinava os seus apaixonados poemas. À direita do chafariz, por uma pequena ladeira, chegava-se à casa de Maria Dorotéia e à sede da Ouvidoria. "Nesta morou o desembargador Tomás Antônio Gonzaga, cuja figura surge em nossa imaginação, como se estivesse ainda na última sacada de onde avistava a noiva, que por sua vez o avista da terceira janela da sua", escreveu o historiador Diogo de Vasconcellos.

   O monumento é considerado um dos mais importantes e bem compostos chafarizes do Brasil. Instalado num paredão, tem as dimensões de 5x6 metros. O corpo principal é emoldurado por pilastras com ornamentos laterais em forma de espiral (volutas). Também ornamentada, a bica conta com quatro ramais - a água jorra da boca de quatro carrancas de bronze e cai em uma pia raiada. No paredão, destacam-se ainda duas falsas janelas, situadas além do contorno das pilastras. Figuras de conchas aparecem em várias partes da composição.
   A construção do chafariz começou em 1759, por iniciativa do Senado da Câmara de Vila Rica, órgão local da administração portuguesa. Na concorrência pública, as obras foram arrematadas pelo arquiteto Manuel Francisco Lisboa, pai de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Há a hipótese, não confirmada por prova documental, da participação de Aleijadinho nos ornatos de pedra-sabão que guarnecem o monumento.

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Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/238 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975; Maria de Fátima Silva Gouvêa, In: Dicionário do Brasil Colonial 1500-1808, direção de Ronaldo Vainfas (Editora Objetiva, 2000)

As informações são do site Conheça Minas

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