História

A Igreja de Santa Efigênia em Ouro Preto-MG

História 10/06/2019/ 18:22:02
 A Igreja de Santa Efigênia em Ouro Preto-MG A igreja de Santa Efigênia, em Ouro Preto, foi construída por fiéis em 1733. Localizada no alto de um morro, a construção pode ser vista à distância e se destaca na paisagem urbana. É o templo ao qual está ligada a lenda de Chico Rei, tradição popular que atravessou os séculos.

O poeta Manuel Bandeira, em seu Guia de Ouro Preto, narra assim o início da história de Chico Rei: Francisco, rei africano, foi aprisionado e vendido para escravo com toda a sua tribo. A mulher e os filhos, menos um, morreram na travessia do Atlântico. (foto ao lado de Ane Souz) Os sobreviventes foram encaminhados às minas de Ouro Preto. Chico Rei conseguiu alforria para ele, seu filho, para outro escravo e assim sucessivamente. Casou e fez sua nova mulher rainha. Tomou a imagem de santa Efigênia como padroeira e restabeleceu danças e costumes africanos. No dia 6 de janeiro, era realizada uma missa cantada e, logo em seguida, os fiéis saíam às ruas dançando ao som de instrumentos africanos. Era o reinado do Rosário, festas imitadas em todos os arraiais de Minas, narra Bandeira. A lenda de Chico Rei foi filmada por Walter Lima Jr., em Chico Rei (1985), com Severo d'Acelino, no papel-título, além de Antônio Pitanga, Anselmo Vasconcelos e Cláudio Marzo.

A igreja de Santa Efigênia também é chamada de Rosário do Alto da Cruz do Padre Faria. Era uma espécie de refúgio dos negros escravos, cuja irmandade, de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, admitia brancos para participar das missas. Desavenças internas obrigaram os brancos a se mudar para a capela do Padre Faria, em 1740. Uma vez instalados, os brancos não permitiram a entrada de negros. (o chafariz abaixo fica próximo a Igreja de Santa Efigênia)

A igreja só ficou pronta em 1785, conforme marca a data gravada no pedestal da cruz em cima da fachada. Segundo o historiador francês Germain Bazin, a planta da igreja de Santa Efigênia visa à obtenção de formas mais elegantes e funcionais. A supressão dos corredores laterais ao longo da nave indicava um período de evolução da arquitetura religiosa mineira. Atribui-se a autoria da planta, sem confirmação, a Manuel Francisco Lisboa, pai de do arquiteto e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

A imagem da Virgem do Rosário revela influência do trabalho de Aleijadinho. Nos altares, surgem as invocações a santa Rita, santo Antônio Noto, são Benedito e Nossa Senhora do Carmo. Foram concebidos segundo o estilo d. João 5º, do Porto, barroco visando à riqueza e à superabundância de detalhes, segundo Germain Bazin. A igreja possui, na entrada, a pia de pedra onde as mulheres negras lavavam os cabelos empoados de ouro antes de entrar. O ouro escorrido era deixado como donativo. A capela-mor traz painéis a óleo com representações de são Domingos e são Francisco aos pés do Cristo crucificado.

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Fontes: Baseado no Plano de Conservação, Valorização e Desenvolvimento de Ouro Preto e Mariana - Dossier de Restauração OP/147 (Fundação João Pinheiro, Iepha-MG, Iphan, PMOP e PMM), 1973-1975, e Guia dos Bens Tombados: Minas Gerais.

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